Baunilha na coquetelaria: aroma, textura e profundidade no copo

Na coquetelaria, baunilha não precisa significar um drinque açucarado. Quando vem da fava, ela pode dar corpo a destilados envelhecidos, suavizar amargores, ligar frutas e especiarias ou criar uma sensação cremosa sem adicionar creme.

A fava Bauni de V. planifolia, uma variedade quente e encorpada, acompanha bourbon, rum escuro, conhaque, café e cacau. No Vanilla Bourbon, drink criado pela bartender Aisha Sharpe e publicado pelo Liquor.com, baunilha, tamarindo e bourbon formam um drinque profundo, ácido e especiado, muito distante da ideia de licor meramente doce.

A V. tahitensis, mais floral, funciona com gim, vodca, espumante, maracujá e cítricos. A bartender Jennifer Akin combina xarope de baunilha e laranja, chá de capim-limão, limão e ginger beer em uma receita registrada pelo StarChefs. Já Enrique Ignacio Auvert, finalista do World Class, criou o Charlie Parker com vodca, Cointreau, licor de baunilha com alecrim, limão e mel.

Em São Paulo, o Santana Bar explora as favas naturais da Bauni em sua coquetelaria. A parceria aponta um caminho interessante: tratar espécie e origem como parte da construção do drinque, e não como detalhe invisível da receita.  No balcão do bar em Pinheiros, peça a releitura do Sex on the Beach e descubra como vodka, conhaque, vinho de cranberry e iogurte grego se envolvem a infusão das nossas baunilhas. 

Há três formas simples de começar: infundir uma fava no destilado, preparar um xarope natural ou aplicar poucas gotas de extrato concentrado. Em um Old Fashioned, por exemplo, a baunilha aumenta a percepção de madeira e caramelo. Em um sour, amacia a acidez. Com café, dá comprimento e textura aromática.

Segundo nossos parceiros de balcão, a medida correta para usar baunilha em um drink é aquela que permanece no segundo gole. Se a baunilha domina o primeiro, provavelmente passou do ponto.